No caso de pessoas com problemas preexistentes, alguns cuidados podem ser tomados para evitar sustos

Publicação:22/06/2014 08:16Atualização:22/06/2014 08:35

 

O empate sem gols entre Brasil e México pode ter mudado os ânimos, mas torcer continua fazendo bem: fisiológica, mental e socialmente. Um torcedor, envolvido com seu esporte preferido, seu time do coração ou, no nosso caso, com a Seleção Brasileira de Futebol, experimenta uma série de alterações de comportamento, que acionam substâncias importantes no organismo. O benefício é o único resultado garantido.

Pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ricardo Monezi explica que o corpo de um torcedor tende a um equilíbrio positivo, que leva os órgãos a trabalharem de forma melhor e mais sincronizada.”O ato de torcer trabalha o coração e a respiração. Provoca uma ansiedade positiva, capaz de gerar criatividade e vitalidade. Além disso, faz com que a sociedade se mostre mais integrada e saudável”, explica.

Deixar de torcer, então, seria como fazer gol contra. Quem vai querer abdicar dos benefícios? Segundo o cardiologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais Marcus Vinícius Bolívar Malachias, as reações de cada torcedor são individuais. Há otimistas, pessimistas, ansiosos, calmos e agressivos… Mas, no corpo humano, as emoções provocam reações que seguem uma via comum: a ativação do sistema de alarme. Muitos hormônios participam desse caldeirão escalado pelo cérebro.

De modo geral, o organismo está adaptado para lidar com as emoções, manifestadas como um estresse agudo, seja ele de expectativa, de alegria pela vitória ou de tristeza pela derrota. E o resultado interfere na resposta do corpo. Contudo, quando o estresse se torna repetitivo, crônico, ou quando o corpo está debilitado por doenças preexistentes, seus efeitos se multiplicam, podendo afetar negativamente o organismo.

Nos períodos de grandes torneios, como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas, tem sido observada maior incidência de problemas agudos de saúde, como infartos, derrames cerebrais e crises hipertensivas. Segundo Marcus Vinícius, o estresse exacerbado tem sido identificado como principal fator para a ocorrência de tais doenças. Mas é importante lembrar que, nessas situações, é comum observar, também, uma série de atitudes jogando contra.

“Há um maior consumo de álcool, de energéticos e de substâncias ilícitas; uma alimentação desequilibrada, com maiores teores de sal e gorduras; menor tempo de sono e até menor adesão ao uso de medicamentos de consumo contínuo, como os que se destinam ao controle da hipertensão, diabetes, angina, insuficiência cardíaca e outras. Tais condições podem aumentar o risco do estresse associado às grandes competições”, alerta o cardiologista.

Por outro lado, toda essa vibração com os torneios promove uma cultura da promoção da saúde. “A cada competição, observa-se o aumento do interesse pela prática de esportes, por atividades físicas e pelo abandono do sedentarismo. Os atletas passam a ser vistos como modelos a serem seguidos, estimulando-se valores como disciplina, organização, planejamento e autocuidado com o corpo e a saúde”, explica. Se torcer faz bem, imagine o benefício de essa torcida ser a campeã no final. Boa sorte para todos nós!

Fonte: sites.uai.com.br – Saúde Plena

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